Texto de Dom Henrique Soares da Costa, bispo auxiliar de Aracaju-SE. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.
Ao celebrarmos a Imaculada Conceição da Virgem Maria e os cento e cinqüenta anos da proclamação do dogma, é oportuno compreender o significado da doutrina do pecado original, pecado do qual a Virgem foi isenta desde o primeiro momento de sua existência.
Antes de tudo, é necessário compreender bem que somente poderemos ter uma noção do pecado e da sua gravidade quando possuímos uma noção da grandeza do amor que Deus nos concedeu e ao qual nos chamou em Jesus Cristo. É contemplando a cruz que poderemos ter uma idéia do quanto o pecado atingiu toda a humanidade e do quanto ele é danoso e trágico. Então, não é primeiramente o Gênesis que nos revela o pecado, mas o fato de Jesus ter amorosamente morrido por todos nós para nos libertar de uma situação de escravidão: “Todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus (Rm 3,23). O pecado original é aquela situação de atoleiro no qual a humanidade se encontra, da qual não pode sair por si mesma e da qual somente Cristo nos pode arrancar: “Eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente, não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. Na realidade, não sou eu mais o que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. Infeliz de mim! Quem me libertará desse corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo Senhor nosso” (Rm 7,14s.24s).